Levantando a cidade

Como anunciei anteriormente, estou trabalhando nas páginas do volume 2 do Beco do Rosário, e uma coisa que gosto muito de fazer nelas é aproveitar para desenhar a cidade de Porto Alegre como eu imagino que ela era. Claro, para isso vou sempre consultando plantas e fotos da época, como neste caso de um trecho do Beco do Rosário (que hoje é a avenida Otávio Rocha) bem na esquina com o antigo Beco do Couto (atual rua Senhor dos Passos). Quase todas as informações que consultei podem ser vistas aqui neste post .

Primeiro, eu faço uma grade de linhas nos sentidos das três dimensões (altura, largura e profundidade) pois quero que seja uma vista aérea e, portanto, uma perspectiva cônica com três pontos de fuga. Isso me ajuda a desenhar mais livremente dentro dessa grade, mas sempre mantendo as inclinações das linhas para deixar o resultado final coerente!

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Figura 1. Primeiro esboço: estabelecendo a grade de guias de perspectiva

Em seguida, traço onde são as quadras (vejo isso nas plantas) e lotes com os prédios (tem uma só planta que encontrei com isso, no AHMMV) e ergo umas “caixinhas” no lugar de cada um deles. Como nas cidades antigas do Brasil, eles ocupavam o lote de lado a lado, fica mais fácil desenhar. Aí é hora de ajustar os tamanhos, caprichar na composição com alturas e volumes dentro do enquadramento escolhido e deixar o “esqueleto” da vista aérea alinhavado.

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Figura 2. As famosas “caixinhas”. Uma paisagem um tanto “dura”, mas já organizada.

Finalmente, a hora do detalhe: uma vez pronta paisagem abstrata de caixinhas, agora posso desenhar telhados, árvores, torres, sugerir janelas (já que ficam bem pequenas no desenho e é importante não poluir), carros, pássaros, pessoas, etc, para dar vida à cena, afinal temos que suavizar aquelas caixinhas todas com elementos mais orgânicos e soltos. Desta forma, em pouco tempo, o desenho a lápis está feito.

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Figura 3. O desenho final, agora com mais vida: árvores, pássaros, postes, etc. Tudo para dar movimento à paisagem!

Acho importante ter as linhas de perspectiva como guias, e deixar o gestual trabalhar dentro delas de forma mais livre. Creio que se seguimos por demais à risca as linhas retas nesse tipo de desenho, terminamos com um resultado muito rígido e sem movimento. Assim, sempre procuro também deixar o desenho um pouco mais “espontâneo” mesmo com todo esse planejamento.

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