Sombras do Recife

Há tempos venho acompanhando pelas redes sociais um projeto que considero como uma “alma gêmea” do Beco do Rosário: as histórias em quadrinhos “Sombras do Recife”, da pernambucana Roberta Cirne. Com foco no terror e das assombrações tradicionais da capital pernambucana, os quadrinhos dela têm com os que eu faço traços muito comuns e que me encantam: a pesquisa e recriação histórica da cidade, as suas histórias tracionais e mitos, a sua memória e pessoas comuns de hoje e de ontem.

Da mesma forma que procuro fazer com o Beco do Rosário, Roberta mostra nos seus quadrinhos uma Recife moderna e antiga, despertando novas significações por lugares da cidade que passam seguidamente despercebidos e, como ela gosta de dizer, “quebrando estereótipos regionais” que terminam por reduzir a multiplicidade de aspectos históricos, sociais e culturais que cada região do Brasil tem. Nesse sentido, “Sombras do Recife” cumpre seu papel desde a sua apresentação: “Não mais a terra ensolarada e clara, de praia e alegria: Um Recife gótico, sombrio e assombrado por visões de espectros é revelado, em um convite mudo para enrfentar seus temores mais profundos”[1]. É um convite a imaginar uma nova velha Recife, a imaginar um outro jeito de falar do Brasil. Além disso, essa descrição desperta em mim memórias de infância, pois me lembro das histórias das “Assombrações do Recife Velho”, de Gilberto Freyre que o meu pai lia nas noites de veraneio para meu irmão e eu quando éramos pequenos. Assim, o Boca de Ouro é um velho amigo que tenho o prazer de reencontrar agora no traço da Roberta, e não poderia ficar indiferente…!

Participamos juntas da última mesa redonda do FIQ, entitulada “Quer ser universal? Cante sua aldeia”, na qual conversamos com o colega Rafael Torres (autor de uma HQ sobre o bairro de Santa Terezinha, em BH) sobre a importância de trazer as cidades brasileiras e seus personagens à baila nos quadrinhos. Não só pela minha formação de arquiteta e urbanista sou fã da proposta, mas também por que penso que não podemos amar o que não vemos. E dar a ver as nossas cidades é um gesto de amor. Ou, como a Roberta diz: “Amor por Recife. Pelas suas lendas, sua realidade”[2].

Enfim, acompanhem a Roberta pelo Facebook, Instagram e no seu blog. ❤ E cate o seu no Catarse.

 

P.S.: Encontrei no Youtube a canção que o Valdemar (Boca de Ouro) canta ao se preparar para encontrar Mina. É uma gravação de 1913… São as histórias em quadrinhos me fazendo descobrir o Brasil! ❤

 

Referências:

[1] CIRNE, Roberta. Sombras do Recife, volume 1.Recife: MXM Gráfica e Editora, 2018. P. 8.

[2] CIRNE, Roberta. Sombras do Recife, volume 1.Recife: MXM Gráfica e Editora, 2018. P. 4.

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