Usando a famosa aquarela preta

Por que estou falando em aquarela preta? Num dos desenhos que postei no Instagram nesta semana, ressaltei que usei uma tinta que quase nunca uso nas minhas pinturas: a aquarela preta, ou, mais exatamente, a Ivory Black (Preto de Marfim), da Winsor & Newton.

Da cartela de amostras do meu godê, a aquarela preto de marfim em diluição. Fonte: a pesquisadora.

Certo, mas o que tem de mais nisso? Quem me conhece das aulas de aquarela sabe que eu defendo que nós temos que “esquecer” que a aquarela preta está ali, no estojo. Sim, ela, assim como a branca, sempre vem nos estojos! Mas então porque deixá-la de lado na hora de pintar?

De maneira intuitiva, muitas pessoas que começam a pintar lançam mão da tinta preta como meio para obter tons mais escuros das outras cores. Claro, ela escurece mesmo! Mas o problema é que ela não só escurece, mas tira o brilho da cor original. Assim, um vermelho, azul ou verde escurecidos com preto sempre ficarão mais “baixos” na escala de valores tonais, mas também menos vibrantes. Ou seja, há um preço cromático a ser pago quando se usa o preto na aquarela, por isso eu prefiro misturar os meus vermelhos, verdes ou azuis com outras cores ou entre si para obter tonalidades mais escuras destes matizes. Desta maneira, preserva-se o brilho da cor, ainda que ela fique mais escura.

Por isto, quando decidi montar a paleta de preto de marfim, amarelo de nápoles, verde seiva (sap green) e vermelho alizarin, eu sabia que não misturaria o preto de marfim às outras cores. Mas como então, deixei-as mais escuras?


A paleta de cores no caderno de testes de paletas. Fonte: a pesquisadora.
  • Para escurecer o amarelo de nápoles, bem clarinho, misturei um pouco de sépia e marrom Van Dycke;
  • Para escurecer o alizarin, pode-se usar um pouco de índigo (mais frio) ou verde de Hook (mais quente);
  • Para escurecer o verde seiva, pode-se também usar um pouco de índigo (mais frio) ou verde de Hook (mais quente);

E o preto? Segundo o fabricante, o preto de marfim, (ivory black) é uma cor tradicionalmente obtida da queima do marfim de elefantes, e é característico o seu tom amarronzado quando diluído. Assim, usei-a pura, apenas variando a quantidade de água para deixar as áreas mais escuras praticamente sem diluição, ou seja, mais concentradas.
Mesmo assim, eu geralmente não uso essa tinta.

A cor preta que uso na aquarela é quase sempre uma mistura de marrom Van Dycke ou siena queimada com azul ultramar, que resulta num cinza cromático vibrante com a luminosidade destas tintas.


O desenho no suporte, pronto para a aquarela. Tinta Lilly (Rohrer & Klingner) sobre papel Hahnemühle Aquarelle Anniversary. Fonte: a pesquisadora.

O desenho colorido, onde se nota o tom quente do preto de marfim. Fonte: a pesquisadora.

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