Making of da página 45

O desenho desta página – a reconstituição de uma grande vista aérea da demolição do Beco do Rosário, na década de 1920 – pode parecer complexo. De fato ele é, mas apenas se pensarmos que optei por desenhar cada prédio, cada telhado, ou seja, mais um trabalho minucioso do que realmente complicado.

Na verdade, para tornar mais visível a mudança radical da paisagem urbana operada naquela época, uma estratégia foi essencial:

pensar em termos não de prédios individuais, mas de quadras, ruas, e desenhar os prédios depois.

Naturalmente, tendo estudado a estrutura fundiária da cidade de Porto Alegre – ou seja, o desenho de suas quadras e lotes – ficou muito mais fácil pensar globalmente como inserir no espaço de uma página tamanho A3 todo o trecho das três quadras do antigo Beco do Rosário que foram parcialmente demolidas.

Para isso, uma dica: resolver a composição geral do esboço num tamanho menor que o final, mas que ainda seja proporcional ao mesmo, ajuda imensamente. Assim, optei por esboçar o desenho geral da paisagem numa folha de rascunho de tamanho A4 (metade de uma tamanho A3), onde resolvi como a cena da demolição iria aparecer.

Esboço do desenho da página 45 feito numa folha de rascunho de tamanho A4. Observar a determinação da posição das quadras e ruas, deixando as construções individuais para depois. Desenho e foto da pesquisadora.

Uma vez resolvida a composição neste tamanho menor e proporcional, com traços gerais e partindo dos espaços das ruas e quadras, ficou bem mais fácil executar o desenho a lápis no tamanho final, A3.

Desenho final da página 45 a lápis feito numa folha de papel Fabriano 350g de tamanho A3. Observar que a posição das quadras se manteve a partir do esboço em tamanho A4, e os prédios individuais foram adicionados. Desenho e foto da pesquisadora.
Alguns momentos da arte-final com bico de pena… ❤

Desenhos como esse, em que a grande quantidade de elementos repetidos (prédios) dá uma aparência de complexidade, na verdade têm uma estrutura bem mais simples se pensarmos de modo global: partindo dos espaços das ruas e quadras, depois dos lotes dentro das quadras, fica bem mais fácil de imaginar a paisagem urbana que se quer reconstruir.

O desenho arte-finalizado com tinta Lilly (Rohrer & Klingner). Deu trabalho, mas já estava tudo definido! Desenho e foto da pesquisadora.

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